Quarta-feira, Abril 04, 2012

Juramentos

Eu quero um pouco de olhar

Manso-forte-rubro-puro

Pelo brilho destes olhos

Quero enxergar o futuro


Tenho um desejo profundo

Que teimo em silenciar

Beijar teus lábios maduros

Beijo pra desamargar


Venha sem medo oh neguinha

Dê-me cá a sua mão

Pisa na grama comigo

Deixa buracos no chão


O sol já está se pondo

Cor caramelo tição

Surgem pontinhas de estrelas

Para nossa ajuntação


Se eu fosse mais sabido

Roubava um pouco da lua

Para fazer-te uma capa

Cobrir tua pele nua


Quarta-feira, Março 28, 2012

O Buraco

Vamos todos pro buraco

Tomei no buraco a vida inteira

Quanto maior o buraco

Maior é a bagaceira


O buraco é inevitável

Vai rico pobre e ateu

Desde o início do mundo

Buraco prevaleceu


Todos nós temos buraco

Em vida ou depois da morte

O destino de um buraco

Depende também da sorte


Buraco é democracia

Cuidas do teu e eu do meu

Mas alguma vez ou outra

Tem gente que empresta o seu


Eu sou muito agradecido

Ao buraco que é meu

Zelo por meu buraquinho

Compartilho ele com o teu


Terça-feira, Março 27, 2012

Alguns Versos Confusos

Aos poucos os sonhos murcham

Como flores

Para depois renascerem

Multicores


Aos poucos vou mergulhando-me

Em dores

Para em seguida reacender

Amores


Os ciclos curvos elípticos

Redemoinhos de ar

Sopram poeira nos ventos

Pras novas terras formar


Reclusão de pensamentos

Anestesia frugal

Luta entre forças e alentos

Dança do bem e o do mal


Canção da lua partida

Imaterial

Teia confusa da vida

Irreal


Quarta-feira, Dezembro 21, 2011

Sinfonia Da Agonia

Tomarei mais um gole de poeira

Brindarei aos escombros do passado

Qual rastilho de pólvora e devaneio

Sobre os ombros de um anjo alquebrado


Meu cantar eu não sei se é de tristeza

Pouco a pouco perdi a identidade

Já não vejo futuro na beleza

Sequer lembro se tive mocidade


Mãos caquéticas buscam no silêncio

Um assombro qualquer de nostalgia

E em meu leito protesto inutilmente

Contra os golpes ardis da covardia


Já na porta a tramela entreaberta

Sinaliza algo como esquecimento

Pelas gotas do sol que se inicia

Carimbando a envelope do lamento


Lábio negro qual lótus encardida

Um tapete de abelhas pelo chão

Num trabalho de pura sinergia

Dão-me a prova cruel do seu ferrão