sábado, dezembro 17, 2011

Sobre o Continuar

Silêncio!

Não estou mais aqui.

Parti...

Tive que ir.


Silêncio!

Passos rumo ao horizonte.

Incerteza...

Distante e inconstante.


Silêncio!

Sai sem me despedir.

Nuvem...

Sol a me diluir.


Silêncio!

Como correntezas.

Oscilação...

Cerrei as presas.


Silêncio!

Talvez nunca volte a falar.

Olhar...

Volto a caminhar.

sexta-feira, dezembro 16, 2011

Alquimeras

Aquela tola menina

Com olhos azul-anil

Nunca muda nunca cresce

Semblante multi-senil


No torto banco da praça

Vestido cor de avelã

Digere amargos sabores

De uma podre maçã


Ao seu redor há um mundo

Que teima em lhe abarcar

Num toque frugal imundo

Que aos poucos lhe toma o ar


Criança de mãos intáteis

Que quer se fazer ouvir

Mas como isso é possível

Se sequer se faz sentir


Uma alquimia confusa

Como gotas de elixir

Uma pitada profunda

De um qualquer existir


segunda-feira, dezembro 05, 2011

Contrastes

A porta larga do tempo

Me convida para entrar

Enquanto com passos soltos

Não paro de caminhar


É um estado de espírito

Assim como um céu profundo

Que de estante em estante

Dá voltas por entre o mundo


Um vaga-lume de estrelas

Com frases de adoração

Que formam um mosaico estranho

No véu da escuridão


Em pastos verdes e secos

De cenário azulmital

Em poucas gotas de chuva

No dia a dia frugal


A harpa dos anjos bentos

Codinome Serafins

Cantando toadas secas

De adoecer os rins


segunda-feira, novembro 28, 2011

Bons Modos

Já estou cansado disso

De enfeites, cama e mesa

Fingir falsos acenos

“Sorria e agradeça”


Esperam muito de mim

Que eu faça e aconteça

É uma tortura se fim

“Sorria e agradeça”


E ninguém está nem ai

Para a minha tristeza

Me querem sempre assim

“Sorria e agradeça”


E se estão confusos

Com a minha frieza

Me mandam ir pro quarto

“Sorria e agradeça”


Bonequinho de lã

É fraco da cabeça

Precisa ter limites

“Sorria e agradeça”