sexta-feira, novembro 18, 2011

Inevitalidades

Conceber-me como um rio

Formando uma semi-listra

Rios correm e listras ficam

Cenário Surrealista


Sentado nessa cadeira

Sozinho há muitos milênios

Muriçocas a sugar

Meu sangue de falsos gênios


A mão incolor da vida

Traça suas linhas curvas

Decepando meus sentidos

Com breves tapas de luvas


As frases de auto-ajuda

Do livro dominical

Pouco a pouco se confundem

Com as matérias do jornal


Assim vão passando os dias

O inevitável vence

E eu sou as velhas janelas

Do Chanteclair recifense


quarta-feira, novembro 09, 2011

Lagarta de Fogo

Sou lagarta de fogo sertaneja

Que entre chamas cresceu nesse torrão

Dia a dia lutei minha peleja

Entre os ares ardis da imensidão

Proclamando o furor da natureza

Pelos cantos ruinosos desse chão


Sou amarga cachaça de alambique

Meu veneno dói mais que traição

Fiz-me moça rapaz e metamorfo

Sem destino sem voz e sem perdão

É assim que construo minha vida

Arrastando-me a esmo em procissão


Tenho as cores primárias da bandeira

Mesmo assim permaneço escondida

E nas folhas eu armo uma mordida

Pra quem ouse tocar-me sem aviso

Sou moléstia sem cura e sem juízo

Zombeteira imoral e desmedida


Se da vida só tive sol e fogo

Tudo herdado entre várias toxinas

Sou talvez até imune a vacinas

Pois é essa a sorte que carrego

Não me julguem cruel sou um espectro

Da vertigem dantesca nordestina


quarta-feira, outubro 26, 2011

Bons Conselhos

O mundo e suas miragens

Vento de ventilador

Enquanto estou congelando

Debaixo do cobertor


Vazio é uma palavra

Que não me assusta mais

Só temo essa ventania

E as folhas que ela me traz


Ergui então uma taça

Com vinho cor de açafrão

Se é frio pouco importa

Ainda menos se é verão


Belas paredes pintadas

Com tons de azul astral

E olho para mim mesmo

Com meu olhar de cristal


Menino o mundo é mil mundos

Já dizia minha vó

E hoje sou uma ilha

Cercado de água e pó


segunda-feira, outubro 10, 2011

Em Nome Da Lei

Os homens estão no mundo

Discutindo suas leis

E o pobre vai sucumbindo

Sem encontrar sua vez


A lei que defende os homens

Com os seus jargões bonitos

Não tem sido eficaz

Em defender oprimidos


As leis são muito importantes

Pro progresso da nação

Mas é preciso urgente

Transformá-las em ação


Justiça e fraternidade

Tem se mostrado ausentes

A lei sem ação é nula

Não traz progresso pras mentes


Uns pensam que é utopia

Buscar respeito e igualdade

Quem pensa assim desconhece

O que amor de verdade


P.S.: Poesia feita durante uma sessão da Câmara de Vereadores de Tuparetama - PE. Bem, creio que não preciso dizer mais nada...